IV Marcha da Classe Trabalhadora reúne 40 mil em Brasília
Apesar da chuva que caiu na madrugada e que ameaçava a marcha que iria acontecer logo pela manhã (05/12). Milhares de trabalhadores ainda nas estradas não desanimaram. Seguiram firmes e convictos nos objetivos de lutar pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário, melhores e mais empregos e o fortalecimento da seguridade social e das políticas públicas.
Já era por volta das 5:30h da manhã, quando o estacionamento do estádio Mané Garrincha estava tomado de ônibus que trazia trabalhadores de todo o Brasil. Faltava pouco para o inicio de uma caminhada que ao contrário de outras já traria resultados no mesmo dia.
A concentração começou por volta das 7h, no próprio estacionamento. O Sindicato dos Metalúrgicos de Itu e Região estava representado pelo presidente Chicão e o diretor de saúde Abel Pereira da Silva.
As bandeiras começavam a tremular enquanto balões gigantes surgiam no horizonte da Esplanada dos Ministérios, alterando o cenário e o cotidiano da Capital Federal.
Por volta das 10h, deu-se inicio a caminhada de aproximadamente quatro quilômetros e meio. Militantes da CUT e das demais centrais entoavam palavras de ordem, levantando cartazes e faixas com as reivindicações do conjunto dos trabalhadores.
O sol já estava bastante forte, eram 13h, o desgaste de muitos participantes já era visível, mais mesmo assim ninguém desistia de lutar pelos ideais pelos quais tinham deixado as esposas, filhos e residências. A marcha chegou ao jardim em frente ao Congresso Nacional e teve início o ato onde os presidentes das centrais sindicais fizeram o uso da palavra.
Após o ato, uma comissão de sindicalistas iria levar a pauta de reivindicação para o presidente da Câmara. Como uma espécie de “quebra de protocolo” o deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara dos Deputados, subiu no caminhão de som para receber a pauta de reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras. “Eu como presidente da Câmara me comprometo a colocar em rediscussão a questão da redução da jornada de trabalho, para que o Congresso, apesar das diferenças existentes atue para garantir avanços trabalhistas”, disse Chinaglia.
Artur Henrique, presidente da CUT Nacional, reiterou a importância da Marcha para a geração de Mais e Melhores Empregos, um dos eixos da manifestação deste ano. “As novas formas de produção e as novas tecnologias têm permitido ganhos imensos de produtividade às empresas de uns dez anos pra cá. Esses ganhos poderiam ser compartilhados com os trabalhadores e trabalhadores. Além disso, a ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT são formas de reestruturar o mercado e as relações de trabalho”.
A manifestação ocorreu de forma pacífica. Por volta das 14:30h o ato chegou ao fim. O retorno para casa tinha não só a certeza de uma viagem segura mas sim a certeza e esperança de que estava plantada ali uma semente que geraria muitos frutos para classe trabalhadora.