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Muitas vezes, olhamos para uma mulher no ponto de ônibus e logo imaginamos que para ela é apenas mais um dia de trabalho. Igual ao de tantas Marias, Cidas, Beneditas e tantas outras que constroem o desenvolvimento do Brasil. Mas o que muitos desconhecem, ou mesmo não param para pensar é que por trás de um rosto sereno mas sem nunca deixar de lado a vaidade e a beleza feminina, há uma mulher que possui várias jornadas.

Como é o caso da companheira Edyneusa Rodrigues dos Santos de 49 anos, metalúrgica.

Edyneusa leva uma vida normal, porém, com muita fibra. Hoje ela realiza um papel importante na vida dos filhos, pois há 18 anos é separada do marido e optou por educar os filhos sozinha e juntos construír uma nova vida sem olhar para trás.

“Foi muito difícil eu me equilibrar na vida. Quando eu estava casada, meu marido não me deixava trabalhar, também não terminei os estudos. Mas, um dia eu acordei e pensei: eu não posso ficar esperando as coisas acontecerem, tenho que continuar a viver. Repito que foi muito complicado, mas sempre me apeguei a um fato. Quando minha filha se formou no pré, conversamos: como será o dia em que você (se referindo a filha) estiver se formando na faculdade? Assim busquei forças para trabalhar, prossegui e realizar meu sonho,” conta Edyneusa.

A partir da separação, a metalúrgica se lançou no mercado de trabalho e como primeiro emprego, foi trabalhar como doméstica em um condomínio na cidade. Tinha sobre seus ombros o financiamento da casa, as despesas e a educação dos filhos. Mas tudo isso foi recompensador, pois viu o sonho da filha ser realizado. “No dia em que minha filha entrou na solenidade de formatura, eu desabei em lágrimas, nesse mesmo instante, passou um filme na minha mente, de tudo o que nós havíamos passado para chegar até aquele momento. Valeu a pena ver ela no meio dos demais formando. Foi uma grande realização. Uma vitória, uma conquista inigualável. Falei para mim mesmo consegui, pois minha filha saia do trabalho e ia direto para faculdade e muitas vezes ela me ligava e falava que estava com fome, isso doia muito em mim, pois ela chegava próximo das 22h40 em casa e de tão cansada tomava banho e dormia. O sacrifício valeu a pena,” relata a companheira.

O trabalho da mulher não pára quando soa o apito da fábrica. Ao chegar em casa ainda há uma outra jornada a esperando. São filhos, maridos, roupa para lavar, fazer o jantar e muitas ainda vão estudar. Mesma que algumas tenham a ajuda dos maridos e dos filhos, as mulheres são perfeccionista e gostam de deixar a casa com o seu toque, as suas características.

Entre dividir o trabalho de casa e o da fábrica, há sempre alguma coisa que tem que abrir mão. São as escolhas que tem que ser feitas para que outras atividades possam acontecer.

Mariana Alves de Melo Gomes, de 27 anos trabalha como metalúrgica há sete anos. A companheira assim como as demais colegas de trabalho, acorda às 4h30 da manhã deixa o filho de sete anos com uma senhora e segue para fábrica junto com as demais companheiras onde às 6h estão todas trabalhando. Ao voltar para casa, pega o filho e realiza os afazeres domésticos.

Contudo, avalia que paga um preço muito caro. À distância e ausência de estar perto do filho.

“Não vejo nada de anormal no meu cotidiano, apenas sinto de não poder ficar mais perto do meu filho. Quando chego em casa, na maioria das vezes estou cansada, e faço o serviço da casa. Muitas vezes meu filho pede para brincar, dói no meu coração eu ter que pedir para deixar para depois. Mas estou fazendo isso, pensando no futuro dele mesmo. Hoje eu gostaria de estar fazendo uma faculdade, mas abro mão para dar prioridade a educação dele. Para eu e meu marido em primeiro lugar está a educação do nosso filho, depois as nossas vontades,” explica Mariana.

Fazer escolhas é realmente algo em comum entre as mulheres, que se sacrificam para um bem maior. Como é o caso da companheira Cristiani Celli Costello de 25 anos, que está fazendo faculdade, para posteriormente conseguir uma oportunidade melhor na própria empresa e assim aumentar a família. “Hoje eu estou fazendo faculdade de Tecnologia da Informação. Pretendo quando terminar o curso, batalhar por uma posição melhor aqui mesmo dentro da fábrica, e assim me programar para ter filhos, pois desta forma terei condições melhores,” relata Cristiani que ainda conclui. “Não é fácil trabalhar, estudar e dar conta da casa e atenção ao marido. Chego da faculdade quase meia noite, e mesmo assim arrumo tempo para para casa, conversar com o marido e ainda estudar”, conclui a metalúrgica.

As mulheres são eternas lutadoras. Pessoas de fibra que não desanimam nunca de seus ideais e principalmente de ter sonhos. Em busca desses sonhos colocam a cara para bater e vão à luta.

A companheira Natalina Ribeiro de Lara, avalia que ainda existe preconceito no mercado de trabalho e na sociedade contra as mulheres, mas isso está acabando.

“Infelizmente ainda há muito preconceito contra as mulheres. Mas isso está acabando, pois estamos dominando tudo o que fazemos. No mercado de trabalho já estamos ocupando cargos que antes nunca imaginaram ser ocupados por uma mulher” avalia a trabalhadora.

Natalina ressalta que as mulheres conseguem vencer os preconceitos e dar a volta por cima por possuir sonhos. “Nós mulheres somos sonhadoras, idealistas, não nos importamos se o príncipe encantado está ou não a nossa espera. Colocamos a cara para bater e vamos à luta, vencemos as barreiras. É por isso que estamos crescendo cada vez mais em todas as áreas, vencendo os preconceitos e conquistando nosso espaço,” afirma Natalina que criou a filha sozinha.

As várias jornadas da mulher não se atém apenas a cuidar da casa e dos filhos, muitas vezes o amor pelos assuntos domésticos transcendem muito mais que barreiras e sacrifícios.

Maria Lúcia da Silva Freitas, de 38 anos, realiza além dos trabalhos de casa e na fábrica, um cuidado especial com o marido, que há tempos atrás sofreu um acidente, que o deixou com sequelas. Líder do setor, ela não se deixa abater e realiza o trabalho com muita dedicação.

“Às vezes aqui no trabalho, não da tempo para eu sentar. Fico andando de máquina em máquina para realizar a troca das peças e também ajudando as meninas. Tenho dois filhos um de 10 e outro de 17 anos, dou atenção para casa, aos filhos e dedico um cuidado todo especial ao meu marido. Mas eu adoro o que faço. Gosto muito do trabalho que realizo” explica a companheira Lúcia.

Toda mulher pensa primeiro nos outros para depois pensar em si própria. Trabalha muitas vezes para ajudar as pessoas mais próximas. Como Hilda Oliveira de 40 anos, que apesar de não ser casada, ajudou por muito tempo os pais que moram no norte do Brasil. “Durante muito tempo eu ajudei meus pais, que moram na região do norte do Brasil. Consegui ter minha casa e meu carro, um sonho antigo que batalhei para realizar. Agora vou unir esforços para deixar minha casa do jeito que eu quero e se Deus quiser vou conseguir,” relata a trabalhadora.

Diante dos relatos apresentados com esta reportagem, o que se observa é que as mulheres acham tempo para tudo e nunca se esquecem de se cuidar e manter acima de tudo a essência e a beleza de ser mulher.


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